Jorge Nuno Pinto da Costa, 71 anos, presidente do FC Porto há 27
Emblemático, frontal e muitas vezes polémico. Jorge Nuno de Lima Pinto da Costa, 71 anos, é presidente do FC Porto há 27 anos. Amado por uns e odiado por outros, tem demonstrado um autêntico espírito de dragão, colocando (quase) sempre o clube do coração acima de tudo. O percurso à frente dos “azuis e brancos” não tem sido fácil, mas, com a determinação que lhe é conhecida, garante que não se deixa abater facilmente e que não tem medo. É essa força que faz adivinhar que vai prolongar o mandato que termina em 2010.
Natural do Porto, Jorge Nuno Pinto da Costa nasce a 28 de Dezembro de 1937, no seio de uma tradicional família da burguesia. Estuda em Famalicão, num colégio de Jesuítas, mas deixa a escola no fim do então sétimo ano. Entra no FC Porto ainda muito jovem e faz-se sócio aos 17 anos. A paixão pelo futebol torna-se evidente desde cedo, mas é uma paixão que não "joga" ao lado da habilidade e, por isso, não passa dos juniores do Futebol Clube Infesta. As linhas do futuro ditam outro destino. Acaba por seguir a vida de empresário.
Começa a carreira de dirigente, em 1962, como chefe da secção de hóquei em patins, numa altura em que o presidente do FC Porto é Cesário Bonito. Alguém que admira, quer como dirigente, quer como acérrimo defensor do Norte de Portugal. Passa também pela secção de boxe, até chegar a director do departamento de futebol, em 1975. Entra para o Conselho Superior do clube em 1980 e, dois anos mais tarde, é eleito presidente da direcção.
Quase três décadas de presidência
Aos 44 anos, assume a presidência do FC Porto. A chegada à cadeira do poder acontece a 23 de Abril de 1982, sucedendo a Américo Sá, com quem exerce as funções de chefe de departamento de futebol profissional.
À frente dos destinos do clube azul e branco, ganha tudo o que há para ganhar no futebol nacional e internacional. Taça dos Campeões Europeus, Taça Intercontinental, Supertaça, Pentacampeonato e várias dobradinhas são glórias que fazem parte da história do FC Porto durante a sua direcção.
Em 1984, torna-se no primeiro presidente do clube a estar numa final europeia, a Taça UEFA, que perde para a Juventus.
Três anos depois, o FC Porto conquista o primeiro título europeu. Sob o comando de Artur Jorge, vence a Taça dos Campeões Europeus, em Viena de Áustria, ao derrotar o Bayern de Munique por 2-1.
No ano seguinte, Pinto da Costa contrata Ivic para substituir Artur Jorge e conquista a Supertaça Europeia e a Taça Intercontinental. O FC Porto torna-se um dos clubes com mais presenças na Liga dos Campeões e um dos emblemas mais respeitados na Europa.
Durante a década de 90, Pinto da Costa contrata Bobby Robson, que inicia um período de cinco títulos consecutivos para o FC Porto. O técnico britânico vence dois títulos, António Oliveira outros tantos e Fernando Santos consegue o "pentacampeonato". Jorge Nuno Pinto da Costa torna-se assim o primeiro presidente pentacampeão do futebol português.
"O grande obreiro"
Uma das grandes apostas de Pinto da Costa é a contratação daquele que viria a ser considerado o melhor treinador do Mundo: José Mourinho. O líder dos azuis e brancos contrata o técnico já na recta final da época de 2002/03 e ganha a aposta. A nível pessoal e profissional. Os resultados ficam na história. Os elogios ao treinador também ficaram registados. "Mourinho é o grande obreiro desta equipa", diz o presidente, em declarações à TSF, no fim da meia-final da Taça UEFA entre o FC Porto e a Lazio.
Mourinho leva o FC Porto à conquista da Taça UEFA, em 2003, da Liga dos Campeões em 2004, e de dois campeonatos (2002/03 e 2003/04), uma Taça de Portugal (2002/03) e de mais duas Supertaças Cândido Oliveira. Para a história fica também uma frase de José Mourinho sobre o FC Porto: “Ganhou o respeito da Europa do futebol. Nada será como dantes a partir daqui”.
Ao longo da carreira Pinto da Costa demonstra ser um líder carismático, com uma elevada auto-confiança, sem medo de enfrentar tudo e todos, chegando mesmo a afirmar: "Com todos contra nós, as vitórias são mais saborosas". Não teme correr riscos. Foi o primeiro, por exemplo, a aderir à SAD - Sociedade Anónima Desportiva -, da qual ainda hoje é presidente.
Pinto da Costa com João Paulo II
No dia em que comemora 21 anos à frente do clube da Invicta, Pinto da Costa realiza o sonho de uma vida: ser recebido pelo Papa. A 23 de Abril de 2003, João Paulo II, no discurso feito no Vaticano, fala em português e refere-se especificamente ao FC Porto.
"Foi um momento inesquecível. Senti um grande orgulho e felicidade quando tive oportunidade de lhe beijar o anel. Foi um grande orgulho ouvi-lo falar em português e referir-se ao nosso clube", disse, na altura, o dirigente à agência Lusa.
Pinto da Costa fica emocionado pela recepção e oferece ao Sumo Pontífice uma imagem de Nossa Senhora de Fátima, uma camisola assinada pelos jogadores e uma camisola número um, já que João Paulo II foi guarda-redes de futebol.
No mesmo dia, o presidente faz um balanço sobre os anos à frente dos destinos do Futebol Clube do Porto. Dá nota positiva ao seu próprio desempenho. Admite ainda que, depois de ter estado no Vaticano, só lhe falta realizar um sonho: ver construído o novo estádio. Mais um desejo concretizado, desde Novembro de 2003, data da inauguração da "casa" do Dragão.
"Apito Dourado"
Em 2004, mais uma batalha. Começam a ser investigados possíveis crimes de falsificação de documentos, corrupção e tráfico de influências no futebol português. Entre os arguidos do processo “Apito Dourado” está Pinto da Costa.
A 2 de Dezembro, a PJ desloca-se à casa de Pinto da Costa, com mandados de busca e detenção, mas o dirigente não está, alegadamente teria sido informado previamente da operação. No dia seguinte, Pinto da Costa apresenta-se voluntariamente no Tribunal de Gondomar. O interrogatório é adiado. É ouvido dia 7, mas sai em liberdade mediante o pagamento de uma caução de 200 mil euros.
A 5 de Abril de 2005, a Polícia Judiciária do Porto conclui a investigação da operação “Apito Dourado” e remete para o procurador Carlos Teixeira, da Comarca de Gondomar, um processo com 17 mil páginas.
Dois anos depois do início das investigações, Carolina Salgado, a ex-companheira de Pinto da Costa, publica um livro. Na obra, "Eu, Carolina", publicada em vésperas do início da instrução do processo de Gondomar, Carolina Salgado denuncia alegadas situações de corrupção desportiva, evasão fiscal, violação do segredo de justiça, agressões, perjúrio e fuga à justiça.
A 16 de Janeiro de 2007, Maria José Morgado assina um despacho que reabre oficialmente os processos conexos ao de Gondomar, justificando a decisão com as declarações de Carolina Salgado.
A 3 de Abril de 2009, o presidente do FC Porto é absolvido. O Tribunal referiu discrepâncias no testemunho de Carolina Salgado. Segundo o tribunal, não ficou provado que Pinto da Costa tenha pressionado árbitros e que o presidente do FC Porto tenha pago a Augusto Duarte. De acordo com o Tribunal de Gaia, não foi igualmente provado que Augusto Duarte tenha beneficiado o FC Porto no jogo com o Beira-Mar (0-0), da 31.ª jornada da Liga de 2003/04, realizado em 18 de Abril.
Pinto da Costa disse sempre que só falaria do caso em tribunal. Assim o fez. Ainda este processo decorria, quando o presidente decide casar novamente com a sua primeira mulher, Filomena Morais, a 27 de Outubro de 2007. Nomes ilustres da história do FC Porto testemunharam o matrimónio. A filha do casal, Joana, foi a madrinha.
"Energia e determinação" para prolongar a presidência
Pinto da Costa, que completa este mês 27 anos na presidência do FC Porto, dá a entender que tem energia e determinação para continuar em funções por mais anos e prolongar o mandato que termina em 2010. "Enquanto me deitar todas as noites com a certeza de que as minhas decisões foram tomadas em consciência e no interesse do FC Porto, dos que nos apoiam, se confiarem, eu continuarei", diz, na inauguração do Dragão Caixa, o novo pavilhão do clube para andebol, basquetebol e hóquei em patins.
Rodeado pelas 324 taças que simbolizam os troféus conquistados enquanto líder do clube, acrescenta: "No dia em que não for capaz de tomar as decisões que entenda serem as melhores e que tenha receio ou medo, eu abandonarei de imediato o meu lugar. Ao fim de 27 anos, aqui estou, sinal de que não me deixo abater, nem tenho medo".
No fim do discurso, deixa a certeza de que a "obrigação" do FC Porto é ser "cada vez maior e melhor".
Texto in Siconline.pt
segunda-feira, 11 de maio de 2009
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