segunda-feira, 10 de novembro de 2008

O Benfica não deve acabar.

Sejamos sinceros connosco próprios. Alguém deseja o fim do SLB? O seu desaparecimento da superfície da terra? Creio que não! Admito que até, num primeiro e primário pensamento seja esse o desejo, a vontade determinada. Não acabar com o SLB? Por alma de quem? Fiz algum mal a Deus para os mouros continuarem a existir? Mas vejamos, vamos com calma, exercitemos a nossa inteligência.

Se o Benfica acabasse os seus adeptos forçosamente dividir-se-iam pelos outros clubes e como é evidente, caber-nos-iam alguns. E eu pergunto se algum adepto ou simpatizante do Porto gostaria de ser misturado com tal gentinha. Ver um mouro de ontem a deliciar-se com os golos do portinho? Não, que horror, definitivamente não queremos dessas misturas. E seria humilhante vê-los tingir os cachecóis do SLB de azul e branco. Humilha-los sim, mas só no campo! E aqui vai a primeira razão para o SLB sobreviver: NADA DE MISTURAS.

Não menos importante seria começarmos a ouvir nas sagradas bancadas do Dragão expressões tais como “apetecia-me tomar uma bica”, “adoro sandes de courato”, “com este calor bebia era uma imperial”, “ vou buscar um garoto à minha mulher” e o inevitável ” dê-me um papo-seco com manteiga” tudo isto num português XPTO. Começávamos logo a desconfiar que tínhamos emigrado sem termos dado por isso, iríamos pensar que já existia novo acordo ortográfico e sentiamo-nos insultados com estas corrupções do nosso bom português. E é esta a segunda razão: A DEFESA DA NOSSA LÍNGUA.

E como poderíamos gozar com os falhanços semanais da equipa do SLB? Para onde iria esse insubstituível gozo de os vermos a enterrarem-se, de depararmo-nos com os seus adeptos a arrancarem cabelos, a espumarem de raiva e de impotência. E digam-me que não é bonito vê-los ao longo de todos estes anos a empenharem-se, a venderem o que têm e não têm para o clube sobreviver na vã esperança de ganharem mais uma Champions League. Eu, pessoalmente, deleito-me a ver os dirigentes do SLB a esmolarem empréstimos de jogadores por esse mundo fora e gozo mesmo quando ouço a frase “ conseguimos o empréstimo (sempre de um jogador em fim de carreira) porque temos excelentes relações com o Milão, o Real Madrid, o Paris Saint Germain, etc.”. Taditos! Ora é esta terceira razão: A NOSSA SAÚDE MENTAL.

A quarta e última razão, sendo certo que muitas mais haverá, digo-a no início: é a NOSSA HISTÓRIA. Desde tempos imemoriais que é nosso hábito enraizado invadirmos o sul, para os civilizar, fazer deles bons cristãos, cidadãos conscientes. Lembremo-nos que o Papa Urbano IV autorizou-nos a conquistar Lisboa “…sita in remotis mundi finibus…”. E, nos dias de hoje, continuamos a praticar essa boa tradição portuguesa quando F.C.P. joga lá em Lisboa, no estrangeiro. Invadimos a cidade e todos os meios para lá chegar são bons: à boleia ou de carro, de comboio ou de autocarro, em excursão, sozinhos ou com a família.

Por tudo isto o Benfica não deve acabar.

Armando Manuel

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