quinta-feira, 30 de outubro de 2008

De Nação a museu!

Ocorre-me, a propósto deste útil blog, algumas ténues e igualmente escassas recordações de um Benfica (refiro-me ao club existente nas décadas de sessenta e setenta) que arcava com a na altura merecida responsabilidade de representar o país, então pluricontinental, mercê das vitórias obtidas. Lembro-me até de referirem um tal Eusébio rei dos golos, vindo de uma parte do país que hoje é outro país.

Também tenho vaga memória de comentarem as alegrias de que esse clube era portador a um povo que , para além do Benfica, só conhecia o fado e Fátima, o primeiro para carpir mágoas e a segunda para alimentar esperanças. Trago presente também o “……quem não é benfiquista não é um bom chefe de família” além de outras pérolas do género. E este filme era acompanhado por todo um país isolado, pobre e atrasado.

Mudaram-se os tempos. O país acordou para novas realidades e destinos, actualizou-se, modernizou-se, abriu-se ao mundo e surgiram novos triunfadores. E entre estes contamos com o glorioso Futebol Clube do Porto. Não que seja um clube novo, terá sido até o primeiro a surgir, mas que de certeza é um clube de inconfundivel dinâmica vencedora.

Não me cabe repetir, frisar ou refrisar o que todo o país já sabe. Do Alaska à Austrália, dos índios aos mongóis e de velhos a novos todos conhecem o F.C.P., os êxitos, os jogadores e o presidente.

E os mouros? Por onde andam? que feitos contam? que ídolos possuem? quem os conhece? Perguntas sem respostas, afogadas em toda uma série de equívocos. Sentados no sofá, manta nas pernas, recordam os bons velhos tempos em filmes a preto e branco gastos e rotos. Nostálgicos reunem-se a comemorar conquistas de outrora trocando até os nomes dos jogadores, das equipas adversárias e dos resultados, resumidos que estão a um “…lembram-se do……” , “…aquele golo do Torres….”, “….foi contra aqueles que agora têm outro nome….” e o “…não foi nada nesse ano, foi no ano seguinte…”. Desolados sentam-se num estádio em que o vizinho da cadeira que está mais próximo encontra-se três lugares ao lado, suspirando quando o milhafre faz três piruetas à volta do recinto tal e qual como bois a olhar para o palácio.

Penso que não deveriamos deixar as coisas neste ponto, ao fim e ao cabo como diz o Espadinha “…recordar é viver…”. Deveriamos ser solidários, promover-lhes a alegria de outrora, deixar que mostrassem a filhos e netos os velhos ídolos, as velhas enchentes, as velhas taças.

Estou convencido que a solução seria transformar o clube num museu. Recolher as reportagens de A Bola dessa altura, antes que desaparecam num arquivo bolorento; os autógrafos do Eusébio da altura em que marcava uns golos; exibir numa vitrina o processo judicial da Teixeira Duarte para receber judicialmente o dinheiro do fecho do terceiro anel que o Benfica não pagava; testemunhos da história do propalado rapto do Eusébio; ouvir o relato dos vinte e tal minutos a mais que o Calabote deu ao Benfica para ver se este ganhava o campeonato; pendurar numa parede as fotografias oficiais dos senhores presidentes da federação da altura em que só eram elegíveis se fossem de Lisboa; outra vitrina do processo e das investigações da família do presidente Brito a ver se recuperava as obras de arte vendidas a preço de saldo para pagar dívidas do clube; mostrar tijolos da capela que a mulher do presidente Dâmaso edificou na Luz; fotografias do Victor Baptista de rabo para o ar à procura do brinco em pleno jogo e uma adega cheia com as garrafas bebidas pelo presidente Vilarinho, se lá coubessem bem entendido, estas entre tantas outras boas recordações.

Seria um museu único na história do desporto, imagem eloquente do brio desportivo do clube, testemunho sincero da verdade desportiva e, enfim, exemplo primeiro de tudo aquilo que no desporto não se deve fazer.



Armando Manuel

3 comentários:

Anónimo disse...

Do Alaska à Austrália, dos índios aos mongóis e de velhos a novos todos conhecem o F.C.P., os êxitos, os jogadores e o presidente.
Como??? Hãaa??? Ah ah ah
Andam a ver muitos filmes!

e cá está:
assinado: Miguel

Viva o Futebol!

Nocas disse...

Viva o Futebol??? Claro...concordo. Futebol só há um, o Clube do Porto e mais nenhum

E cá está
assinado: Ana

Anónimo disse...

Mas que grande noite...sim senhor, que grande noite!
Adorei o frangoo!
Para bom entendedor meia palavra basta, quanto mais...Uma noite fabulástica!

Ah e viva o NAVAL!

Viva o Futebol!

e cá está
assinado: Miguel